quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sapateado

Sem registros históricos que possam precisar datas e locais, sabe-se muito pouco a respeito das origens do sapateado: algumas de suas primeiras manifestações datam de meados do século V. Posteriormente, desenvolveu-se a partir do período da primeira Revolução Industrial.
Os operários costumavam usar tamancos (clogs) para isolar a umidade que subia do solo e, nos períodos livres, reuniam-se nas ruas para exibir sua arte: quem fizesse o maior e mais variado número de sons com os pés, de forma mais original, seria o vencedor.
Por volta de 1800, sapatos foram adaptados especialmente para esta dança. Os calçados eram mais flexíveis, feitos de couro, e moedas eram fixadas à sola, para que o som fosse mais limpo.
Mais tarde, finas placas de metal (taps) passaram a ser fixadas no lugar das moedas, o que aumentou ainda mais a qualidade do som.
Nos Estados Unidos desenvolveu-se o chamado Sapateado Americano, introduzido no país por volta de na primeira metade do século 19, na fusão que uniu ritmos e danças dos escravos, que já possuíam um estilo de dança próprio baseado nos sons corporais, com os estilos de sapateado praticados pelos imigrantes irlandeses e colonizadores ingleses.
A forma irlandesa do sapateado - também chamada de Irish Tap Dance - concentra-se nos pés, o tronco permanece rígido; já os americanos realizam sua Tap Dance esbanjando ritmos sincopados e movimentos com o corpo todo, abrindo a dança para o estilo próprio de cada executor. O sapateado americano acresecentou à forma irlandesa da dança toda a riqueza musical e de movimentos dos ritmos dançados pelos africanos e com isso criou uma modalidade de dança ímpar e que se espalharia, posteriormente, por todo o território dos EUA e, durante o século XX, diversos outros países.
A partir da década de 30 o sapateado ganhou força e popularidade com os grandes musicais, que contavam com a participação de nomes como Fred Astaire, Gene Kelly, Ginger Rogers e Eleanor Powell.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Dança Profética


Sabemos que o diabo veio para matar, roubar e destruir o ser humano e toda e qualquer forma de adoração a Deus. Mas hoje, em Cristo Jesus, temos que tomar posse tudo que nos foi roubado e derramar diante Dele, toda a expressão de nossa existência por meio do júbilo e da adoração em danças.
A dança também pode ser considerada um ato profético no momento que ela se manifesta como uma linguagem inspirada pelo Espírito Santo.
Muitas vezes, ao ouvir um louvor uma grande tela de cinema se abre na minha mente e consigo visualizar cada movimento ou objetos que podemos utilizar na dança. No culto, no momento do louvor, na minha cadeira mesmo, adorando ao Rei, começo a fazer passos que na hora não consigo entender direito. Mas, com o passar dos dias esses passos começam a fazer significado na minha vida.
Certa vez, num culto na minha igreja, estava eu num momento de adoração, que costumo fazer de olhos fechados, pois se abrisse iria me deparar com muitas “Mical” ; e Deus me deu um movimento que assemelhava-se com um rodamoinho e depois colocava tudo no lugar. Na hora não entendi... Passaram-se alguns meses, eu estava gestante de 3 meses, e perdi a criança num aborto espontâneo. Ao mesmo tempo, fiquei doente com problema respiratório que nem os médicos sabiam explicar, perdi meu emprego, não conseguia fazer nada ministerialmente, e, para completar estava totalmente fria espiritualmente, e sem ânimo. Enfim, eu estava dentro do rodamoinho... Mas, depois de muitas lágrimas, muitas orações, Deus começou a colocar tudo no lugar. Deus está colocando tudo no seu devido lugar. Hoje, sou mãe de uma menina linda – Ana Luiza, que significa “Graciosa Guerreira”, e, fui curada do problema respiratório. Glória a Deus!
Preste atenção, queridos! Precisamos estar sensíveis ao que o Espírito Santo de Deus tem a dizer para a igreja. Precisamos vigiar para que a dança nos cultos a Deus não seja um complemento, uma apresentação, um enfeite na liturgia ou um show. A dança não está conquistando ou reconquistando seu espaço, mas fazendo parte, assim como o canto e a música, da celebração e da aclamação ao Senhor Jesus.
Contudo, devemos buscar compreender qual o verdadeiro significado da dança como louvor e adoração, ou seja, primeiro em Deus, por intermédio do Espírito Santo, e na Bíblia Sagrada, e depois no movimento corporal humano, que acima de tudo foi dado por Deus. Deixa Deus agir em nossas vidas, transformando-a, para que possamos adorá-lo em espírito e em verdade.
Nossos encontros não devem ser resumidos a ensaios de coreografias, mas precisamos criar métodos onde serão ensinadas técnicas específicas de um determinado estilo de dança (ballet clássico; dança moderna, dança contemporânea, street dance). E, num outro momento proporcionar ao participante a descobrir outros movimentos por meio de dinâmicas corporais temáticas. Criar momentos para estudos bíblicos, pesquisas temáticas, devocionais... Trilhando assim, os passos para a Dança Profética.

História da Dança no tempo da Igreja - Restauração

Jesus nos fala no evangelho de João que Deus busca os verdadeiros adoradores, e podemos ver em várias gerações da igreja pessoas que sempre estiveram dispostas a render os movimentos do seu corpo em adoração ao Senhor.
Certa vez li num site o seguinte pensamento: “Deus não busca a restauração da dança, mas a dança dos restaurados”. É uma frase forte, mas que nos traz uma grande verdade, só pessoas realmente restauradas pelo Senhor podem ser usadas para a restauração dessa e de outros tipos de arte, se o seu coração queima por ver as artes sendo restauradas por Deus, entenda, Deus vai começar primeiro em você, em seu coração, não podemos restaurar nada se nós mesmos ainda não fomos restaurados por Deus.
A restauração traz vida e poder de volta a algo que estava perdido.

História da Dança no tempo da Igreja - A Dança Messiânica

Desde 1968, quando o movimento Messiânico floresceu... Fazem parte dele congregações por todo o mundo, incluindo 150 congregações só nos Estados Unidos. Esse movimento se identificou com as promessas bíblicas a Israel, e com os Israelitas modernos cuja cultura é inclinada para a dança.
As danças judaicas são a expressão de sua cultura e crença religiosa.
Para os judeus a dança sempre foi uma oração acompanhada por música, cânticos ou bater de tambores. Para o movimento messiânico, avivamento envolve o uso da dança sagrada sendo restaurado à sua apropriada prática bíblica.

História da Dança no tempo da Igreja - A Reforma

O período da reforma começou em 1525, e trouxe a quase completa morte da dança na igreja protestante. Nessa época o Balé Clássico se tornava proeminente, a arte pintava as paredes das catedrais. Mas a postura da igreja em relação às artes sofreu na mão de alguns reformistas.

* Martinho Lutero (1483-1546) Era extremamente contra a dança sagrada. Levou a supressão total de qualquer dança até o final do século 18.

* Protestantismo: Visão crítica das artes, a filosofia na época dizia que a mente tinha prioridade sobre o corpo. Enfatizava-se o racional ao invés do experimento, a dança era considerada inapropriada por ser muito subjetiva.

Lachsa Dance - Matthew Rushing - Dança Contemporânea

Pequena História da Dança - Parte 3

Mas com o passar dos anos o Ballet ganhou sentimentos, expressões conhecido Ballet Moderno.

Antes disso ocorrer o que imperava no século XVIII ainda era a beleza formal do movimento sem sentimento. Então vários coreógrafos sentiam a necessidade de romper com essas limitações formais do ballet clássico e seu rigor acadêmico, formando métodos, treinos, técnicas e estéticas diferenciadas, que caracterizava como Dança Moderna.

Muitos foram os precursores da dança moderna, entre eles destacam-se: Isadora Duncan (1878-1927); Ruth Saint-Denis (1878-1968); Ted Shawn (1891-1972); Martha Graham; Rudolf Von Laban (1879-1958).

Resumidamente, a dança moderna tem como princípio da liberdade de explorar, conhecer, sentir e expressar o que dançavam. Era uma dança livre da rigidez acadêmica e dos passos codificados do ballet, livre para expressar o que quisesse.

Além do Ballet Clássico e a Dança Moderna, houve outros estilos de dança com técnicas corporais particulares como: Dança Teatro, Jazz, Dança Contemporânea, etc.

Há outros estilos populares como o xote, o samba e o frevo. Estilos importados de outras culturas como o Street Dance, o Sapateado etc.

Enfim, há muitos estilos de dança construídos no decorrer da história.

Mas, e a Dança de Adoração e louvor a Deus?

Existem registros históricos relatando sobre esse movimento?

O que aconteceu com a Dança no tempo da igreja primitiva?

Respostas para essas perguntas veremos na próxima postagem.

Ballet Adágio - Giselle

Ballet Allegro - La Sylphide

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pequena História da Dança - Parte 2

No início do século XVIII, a dança que era ensinada em escolas específicas de dança era (e continua sendo até hoje), o “Ballet Clássico”.

A técnica do ballet clássico utilizada até hoje é a Russa, resultante da fusão dos estilos italiano e francês. O estilo italiano é o estilo acrobático, que são movimentos vivos, angulosos, com rigidez e velocidade caracterizando-se allegro. O estilo francês é caracterizado pelo adágio, ou seja, movimentos leve, arredondados e graciosos. A graça de um e o virtuosismo do outro, aliados ao temperamento emotivo do povo russo (Rosay, 1980).

Agrippina Vaganova (1991), relata que as aulas de ballet são desenvolvidas através de exercícios na barra de madeira ou de metal fixada na parede ou no chão, e com exercícios no centro da sala de aula, se revelando gradativamente, no qual a criança começa a estudar, primeiramente, de forma seca e sem variação, depois com combinações simples no movimento, e mais tarde com combinações arredondados e graciosos, executando assim o adágio. No adágio, os alunos aprendem também as posturas básicas, giros do corpo e da cabeça, sempre com a preocupação de introduzir os exercícios aos poucos, para dominar a firmeza, estabilidade, agilidade, e mobilidade do corpo. Dominando esses princípios, é introduzir o allegro, enfrentando os grandes saltos. O allegro é denominado a ciência da dança, no qual é contruída a coreografia do espetáculo.

A autora também retrata que os exercícios são realizados através da repetição sistemática do movimento durante o maior número de vezes.

Nota-se que nesta época, dança-se pelo movimento em si, sem a necessidade de que este seja um meio expressivo. Paulina Ossona (1984), relata que esse estilo clássico, nasceu nas cortes, no qual criam-se movimentos de beleza formal da figura humana, tornando algo frágil, decorativo e harmonioso.

Pequena História da Dança - Parte 1

A palavra dança (danza, dance, tanz) origina-se do sânscrito[1] tan, que significa tensão.

A mais antiga imagem da dança data do período Mesolítico (cerca de 8.300 a.C.), foi descoberta na caverna de Cogul, na província de Lérica, ao leste da Espanha, e retrata mulheres em um suposto ritual de fertilidade (figura acima).

Segundo Paulina Ossona (1988), há indícius da dança no serviço religioso cristão na Idade Média. Nessa época, durante a expansão do cristianismo, a dança era sempre apresentada nos cultos religiosos. Em algumas catedrais havia um lugar reservado para a dança, localizado na porta que apontava para o Ocidente, denominado ballatoria ou choraria.

Na França e na Alemanha, entre os séculos IX e XVI, havia procissões para eliminar as pragas e as epidemias. Nessas procissões, os participantes carregavam imagens e cruzes, realizando movimentos cadenciados denominados dança sacra.

Os primeiros padres aprovavam o uso da dança em cerimônia religiosas, desde que seu conteúdo fosse de fundo sacro, e não profano. Contudo os ritos pagãos foram penetrando nas cerimônias religiosas e nos templos católicos, o que resultou, juntamente com outros fatores, no banimento da dança na Igreja.

Apesar de toda proibição pela Igreja Católica, a dança permaneceu, disfarçada em cerimônias fora do serviço formal da Igreja: nas festas camponesas, em comemoração à semeadura, à colheita, denominada dança macabra. Segundo Kraus (apud Coimbra, 2002, p. 44) nas danças macabras as pessoas prestavam homenagem deliberadamente ao demônio por meio de movimentos frenéticos, bacanais selvagens, sacrifícios e excessos sexuais. Esses rituais eram realizados em lugares isolados e escuros durante a madrugada, e seus participantes usavam máscaras e trajes grotescos.



[1] Sânscrito: é uma das mais antigas línguas clássicas da Índia, da família indo-européia.


A Dança na Bíblia

Na palavra do Senhor, encontrei muitos registros da palavra dança, como exemplo temos Êxodo 15: 20 -21 que relata Miriã liderando as mulheres com louvor e com danças em adoração e agradecimento a Deus depois da fuga bem sucedida do Egito para Terra Prometida, terra onde manava leite e mel:

“Então Miriã, a profetiza, a irmã de Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque sumamente se exaltou, e lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro.” (Êxodo 15: 20-21).

Em Juízes 11: 34 demonstra que a dança era também parte de boas vindas aos soldados que voltavam para casa vindo da batalha.

“Vindo pois Jefté, e Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças: e era ela só a única; não tinha outro filho nem filha.” (Juízes: 11- 34)

Houve canto e dança quando Davi derrotou o gigante Golias:

“Sucedeu porém que , vindo eles, quando Davi voltava de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando, e em danças, com adufes, com alegria, e com instrumentos de música”.(I Samuel 18: 6).

Em Lucas 15:25 relata a parábola do filho pródigo onde aconteceu uma grande festa e com certeza onde há festa há dança. Em João 2:1 relata a festa de casamento em Caná da Galiléia onde Jesus transformou a água em vinho, e onde há festa há dança, pois a dança faz parte da cultura judaica.

Dança, Coreografia ou Gestos? Que termo devo usar para me expressar diante de Jesus?

Muitos têm questionado sobre a dança na Igreja de Jesus Cristo. Considero a preocupação importante, pois muitos são os ataques do inimigo a nossa alma, e precisamos estar atentos.

Do mesmo modo, precisamos estar sintonizados com Espírito Santo de Deus para que possamos ouvi-lo e compreender aquilo que Ele quer nos dizer e ensinar.

Ao visitar algumas Igrejas, percebi que muitos Ministérios de Dança não utilizam a palavra Dança e sim grupo de coreografia, de gestos ou de movimentos de adoração e louvor.

Porém, se analisarmos a palavra COREOGRAFIA, temos COREO=corpo; GRAFIA = escrita; que significa: “Escrever com o corpo”. E, se você está escrevendo com o corpo, você está dançando. Já a palavra GESTO significa movimento do corpo, movimentar o corpo para exprimir uma idéia ou sentimento, ou para realçar a expressão, mímica, e, se você está movimentando o corpo para expressar um sentimento ao som de uma música, você dançando. A palavra MOVIMENTO significa: Ato ou processo de mover-se, deslocamento, animação, agitação, mexer, entre outros significados... Portanto, se eu movimento meu corpo ao som de uma música logo estou dançando.

Portanto, não vejo nenhum mal de nos apropriarmos da palavra dança para me expressar diante de Jesus o meu louvor e a minha adoração, sendo que a própria bíblia que é a palavra de Deus já o fez.

“Então Miriã, a profetiza, a irmã de Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque sumamente se exaltou, e lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro.” (Êxodo 15: 20-21).



Minha história na Dança

A minha história na Dança teve inicio aos 7 anos, quando passava em frente à uma escola de ballet, olhava as meninas vestidas de colant, saia e sapatilha cor de rosa. Sempre quiz fazer ballet, mas as nossas condições financeiras não permitia, e então ficava apenas assistindo pela televisão espetáculos de ballet e filmes, tirando recortes de revistas figuras da dança, escrevia no meu diário o meus sonhos e fantasias na dança. Muitas vezes ficava trancada no meu quarto inventando passos de danças. Quando tinha festas na escola, lá estava eu participando de coreografias muitas vezes inventadas por meninas que faziam aulas de dança.

Quando completei 17 anos achava que o sonho de ser bailarina tinha cessado, achava que estava velha para ser bailarina, porém nessa época abriu-se casas e oficinas culturais que promoviam cursos gratuitos de dança, foi então que me escrevi num curso de jazz. Lembro até hoje quando recebi o telegrama para participar do curso, eu e mais uma amiga que sonhava em ser atriz e apoiava o meu sonho de ser bailarina. Era um curso rápido de 3 meses, mas o inicio de muitos outros. Fiz muitos cursos de dança nessa oficina cultural, mas não abriam cursos de ballet para adultos, foi então que comecei a trabalhar e paguei o meu primeiro curso de ballet.

Mas, eu não sabia que Jesus já tinha um plano para minha vida, e que isso que eu sonhava em ser; Ele ia me dar, para usar na sua obra, para o louvor da Sua Glória, me resgatou e me tirou do poço de lama, para viver uma nova vida, para viver não os meus sonhos, mas os sonhos de Deus. E eu deixei de receber os aplausos para minha glória, para ser um canal de benção e transportar os aplausos para honra e glória do nome de Jesus.

Agradeço a Deus por ter tido o privilégio em ser batizada pelo Espírito Santo dançando, louvo a Deus pela vida do meu marido Pr. Luiz Antonio que me evangelizou, me ensinou, me ensina e apoia o meu ministério; louvado seja Deus por todas as inspirações de dança e teatro.